A série “Pelos caminhos das pedras” é habitada por formações rochosas captadas por Adelino Marques em diferentes locais: Serra d’Arga, Serra da Aboboreira, Serra do Marão, Serra do Alvão, Serra da Freita, Serra de Montemuro e Praia de Lavadores. Ao aceitarmos o desafio de fazermos este caminho das pedras, percebemos que não importa a localização geográfica nem quando aconteceu o registo das imagens. O ponto de vista e a perspetiva escolhida transforma estas massas de rocha em grupos escultóricos a lembrar os trabalhos de Henri Moore levando-nos tentar adivinhar e identificar o que são, quem são aquelas formações ora redondas ora cortantes, isoladas ou copuladas, plantadas no chão ou em equilíbrios instáveis. Estão sós, desabitadas porque destas paisagens não consta a presença humana e os apontamentos vegetais são irrelevantes. A proposta que nos é feita está à partida determinada pelo olhar do fotógrafo que não nos deixa sair do foco acentuado por uma moldura que limita propositadamente o nosso campo de visão. E olhando as imagens num tempo de quarentena, estas paisagens aparecem como uma metáfora ao confinamento que vivemos hoje, reféns de nós, reféns dos outros. Há um subliminar convite à introspeção, a um certo cismar sobre a solidão, sobre a finitude e, sobretudo, sobre o tempo. A quietude destas paisagens lembra que talvez seja preciso desacelerar, reclamar o tempo para que o nosso caminho das pedras seja sentido, pensado, vivido.